Página Inicial Data de criação : 08/05/23 Última actualização : 08/10/22 00:04 / 29 Artigos publicados
 

O sacerdote vive para servir  Inserido Thursday 16 October 2008 00:38

sacerdote

             O sacerdote vive para servir

 

O sacerdote é aquele tirado do meio do povo, polido (quer dizer), preparado, para seguir a frente desse mesmo povo que é de Deus. O sacerdote é o legítimo administrador do Rebanho que o Senhor Deus instituiu aqui na terra. Vemos com os olhos humanos o Reino que muitos desejaram ver e não viram.

 Mas onde surgiu o sacerdócio, considerado do Deus Altíssimo que governa o Céu e a Terra? Quem nos garantem que o sacerdócio cristão não é uma invenção meramente humana e frágil, que pode ser destruída facilmente? As respostas para esses questionamentos podemos encontrar na própria Sagrada Escritura, que é um dos documentos mais antigos da história do homem. O relato da instituição do sacerdócio, mais antigo, que temos, se encontra em Gn 14,18 quando nos apresenta o primeiro sacerdote de Deus chamado Melquisedeque que era rei de Salém, (nome antigo de Jerusalém), onde recebeu do seu povo o título de rei da justiça. A Escritura une assim a Melquisedeque, duas funções, como reza no livro do Gêneses, ele era rei e sacerdote que ofereceu pão e vinho ao Deus que deu vitória a Abraão como ação de graças. E aqui surge outra pergunta: Quem é esse Melquisedeque? Ninguém sabe de onde ele veio nem para onde foi. Outra curiosidade é que ele “oferece pão e vinho” (Gn 14,18) ao Senhor que só aceitava sacrifícios de animais, como cordeiros, bois, etc. Então a Igreja sendo a Legítima intérprete*¹ da Sagrada Escritura nos revela que Melquisedeque é prefigura de Cristo no Antigo Testamento. É Cristo que institui o sacerdócio no Antigo Testamento e confirma no Novo Testamento com o mesmo sacrifício de “pão e vinho” na última Ceia (Lc 22, 19-20; Mt 26, 26-28; Mc 14, 22-24; 1Cor 11, 23-25) antes de sua morte e ressurreição.

*¹ “o patrimônio sagrado (1Tm 6,20; 2Tm 1,12-14)      da fé (“depositum fidei”) contido na Sagrada Tradição e na Sagrada Escritura, foi confiado pelos apóstolos à totalidade da Igreja. “Apegando-se firmemente ao mesmo tempo, o povo santo todo, unido a seus pastores, persevera continuamente na doutrina dos apóstolos e na comunhão, na fração do pão e nas orações (At 2,42), de sorte que na conservação, no exercício e na profissão da fé transmitida, se crie uma singular unidade entre os bispos e os fiéis”. O ofício de transmitir autenticamente a palavra de Deus escrita ou transmitida foi confiado unicamente ao Magistério vivo da Igreja (católica), cuja autoridade se exerce em nome de Jesus Cristo (Mt 16,18), isto é, aos bispos em comunhão com o sucessor de Pedro, bispo de Roma. Quem vos ouve, a mim ouve (Lc 10,16). (cf. CIC 84-85)

Melquisedeque é ainda citado nos Sl 110,4; e Hb 5,10; 6,20. Onde nos fica claro que, Deus envia seus sacerdotes, a nós seu povo, para abençoar, proclamar sua Palavra e oferecer a Ele mesmo o Culto agradável a seus olhos. Pegando ainda Ex 28, 1-5; 29,1-29; Lv 1-7; Mt 1,8; e 8,4. Vemos o interesse de Deus por nós e o belo chamado que Ele faz, a Aarão e seus filhos para esse santo ministério, onde O Altíssimo não só faz a convocação desses seus servos, mas também diz como deve ser feito a sua ordenação e que vestimentas eles (os sacerdotes) deveriam usar na hora do ritual. Mas para que tudo isso? Para que o seu povo tivesse nos seus sacerdotes um canal aberto, entre Deus que acolhia as suas preces e oferendas, e os homens que recebiam os benefícios do Senhor. Um exemplo citado no tempo de Jesus é o de São Zacarias, pai de João Batista, que ofereceu incenso na presença do Senhor (Mt 1,8) e o Deus presente no santo dos santos do Templo envia o seu mensageiro, para lhe comunicar o nascimento de seu filho João o último dos profetas que veio desligar o Antigo Testamento e preparar o Novo.

 

             Jesus continua a Obra do Pai

                      

Jesus era judeu, os ritos eram os mesmos que todo judeu devia cumprir nos tempos fortes do ano judaico - (por exemplo: a Páscoa, a festa das tendas, das colheitas etc.) - de oferecer aos sacerdotes seus sacrifícios para o perdão dos pecados e a purificação pessoal. Porem Jesus continua a Obra do Pai exercendo o seu sacerdócio que é o Novo e mais perfeito Sacerdócio da NOVA E ETERNA ALIANÇA que Deus  realizou definitivamente conosco com Jesus, por Jesus e em Jesus. Cristo Agora é o Sumo Sacerdote da nova Aliança selada com o seu próprio sangue no calvário, segundo altar*² , o da Cruz (1Pd 2,24), que recebe a Oferenda por excelência. 

*²O primeiro altar foi o sacerdote Simeão, que recebe das mãos de Maria Santíssima e São José aquele Menino em seus braços dado para apresentação no Templo, como regia a Lei de Moisés (Lc 2, 22-32). E o segundo altar foi o madeiro da Cruz. No primeiro altar o Senhor Deus recebeu das mãos de São José um par de rolinhas porque eram pobres e não podiam dar mais que isso (Lc 2, 24). No segundo altar foram oferecidas como oferta o corpo adorável do próprio Jesus que foi o Cordeiro da imolação e as lágrimas de Maria do coração transpassado pelas espadas de dores( Lc 2, 35).  

Agora voltamos os pensamentos mais íntimos que temos para contemplar Cristo, Homem-Deus. Que assumiu a condição humana para habitar no nosso meio, sem excluir nenhuma dificuldade para sobreviver em meio aos homens, exceto o pecado. E que depois de sua prova de amor por nós, volta ao Céu e “ se assenta  a direita do Trono da Majestade nos céus. Ele é ministro do Santuário e da Tenda Verdadeira, armada pelo Senhor*³ e não por homem”(Hb 8,2).

Armada pelo Senhor em Maria o novo santuário, a nova tenda, o nosso tarbenáculo escolhido por Deus e gerada pela Graça.  

 

O sacerdote tem a missão de profeta, que é anunciar, presidir a Eucaristia (ação de graças) e denunciar a injustiça do mundo. E se antes os sacerdotes e profetas já faziam isto, com Jesus tudo toma um novo vigor. O profeta deixou de ser o profeta de um certo grupo de pessoas e passa a ser o anunciador de todos os povos. Sua casa é o mundo e sua família são todos os que se abrem a novidade do Evangelho. “Ide por todo o mundo e a todos levai o Evangelho”(Mt 28,19). E Jesus é o exemplo perfeito desse “ide” porque ele foi e “levou o Seu Evangelho”.

 

         Ele chama operários para a sua vinha

          

 

Jesus Cristo se preocupa com cada um de nós e para sanar o seu coração dessa preocupação, ele na medida que andando pelos povoados, ia chamando aqueles que lhe tocava o coração. Andando pela praia “Chama Pedro e seu irmão André” (Mc 1, 16), e ainda achando pouco, chama o “Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão” (Mc 1,19). E assim se deu o convite e á aceitação de vários. E a todos os que perceveraram no serviço do Reino com Jesus, receberam o ministério sacerdotal do Senhor quando Jesus disse: “Recebei o Espírito Santo” (Jo 20, 22). A desde do dia de Pentecostes até hoje, Deus continua a sua obra na vida da Igreja. Pois a Igreja vive da Eucaristia que é Jesus presente no sacrifício do altar em cada igreja. O Espírito Santo é a Alma da Igreja, Corpo Místico de Cristo que vem pondo sangue novo nas veias desse corpo que somos cada um de nós. O sacerdote tem o dever de servir o povo e a Deus. Em cada santa Missa se atualiza o cena do calvário, porque Jesus morre em cada altar. Mas também se atualiza o sepulcro vazio, porque Cristo Ressuscita e vem a nós na santa comunhão. Por isso que em toda Santa Missa acontece aos nossos olhos a Ação redentora de Jesus.   Termino dizendo com a Igreja, que o sacerdote age na pessoa de Cristo. Ninguém é digno desse tão grande serviço, mas o Senhor chama, prepara, ordena e envia ao seu povo aquele que foi tirado do povo, para a continuidade de sua Aliança.

 

Em Jesus e Maria em Santo Agostinho

 

                   Ir. José Wilson Fabrício da Silva, OAR

                        (Ordem dos Agostinianos Recoletos)

 

 

 

 

 

               

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